
Uma carta levada numa garrafa pelo deus mar,
que o desespero leve-a a quem precisa,
porque minha voz não pode se calar.
Talvez você nunca leia,
talvez quando ela recostar no porto vil você já tenha partido.
Digo nela para que volte ou para que me deixe ir contigo,
sinto que aqui não é mais meu lugar,
quero ir depois do mar,
quero sentir essa angústia de viajar e
nunca ver o horizonte chegar.
Na escrita lembro
no fim da tarde eu sou capaz de sentir seu aroma
como se você estivesse aqui e me vem aquele mesmo gosto
de quando laçávamos um beijo.
Percebo que isso é a presença da sua ausência, mas
é só mais uma onda nas costas frias,
de manhã o sol esquenta a maresia que arrepia,
que me entorpece e que te trás.
Eu poderia dizer que quero completar minha jornada ao seu lado
por causa da minha paixão, da luz dos seus olhos,
do sorriso à esquerda, da alegria da vida, da dança no pé
da cabeça na lua, da juventude retrógrada
e pelas mil coisas que trás na bagagem de viagens anteriores.
Mas na verdade eu quero, não para morrer em meus braços,
o oceano é grande demais para sepultar uma só alma,
eu te quero pelo seu ser se resumir em você
e por ser livre, mas a carta talvez nunca chegue
para dar vida àquilo que o tempo consome...
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