Dias Perfeitos

... eu pensei em mim, eu pensei em ti, eu chorei por nós...

“Em que posso ajudar?” Digo isso constantemente a ajudar pessoas insatisfeitas ou não, calmas e nervosas, a gritar e a chorar. Empenho-me ao máximo e cada ligação encerrada algo mudou a quem necessitou da ajuda, algo acrescentou nos meus conhecimentos. Acontece que nem sempre querem ouvir o que tem que ser dito, às vezes nem eu quero falar! Tenho, em tão pouco tempo, a sensação de que já não existe parte da calma que era minha, o estresse aumenta mesmo que esteja eu a fazer aquilo que peguei paixão.

“Engolir sapo” é a expressão correta, estar lá a ouvir asneiras e nada poder fazer a não ser repetir as vezes que forem necessárias de maneiras diferentes o mesmo procedimento fazendo quem está do outro lado entender, que é aquilo e pronto. “Senhor, peço desculpas, eu não fui claro, vou explicar novamente, funciona da seguinte forma...” ou “Eu compreendo, mas como eu disse...” Enquanto os pensamentos desabafam “Seu burro, o senhor sabe que o cartão pertence a uma administradora e não a uma instituição filantrópica, faz assim, paga calado!” É só um desabafo, e não é sempre, juro, por vezes dá vontade de ficar a conversar com aquela pessoa que tem a alma mais elevada, aquela que sinceramente “Agradeço pela ligação, tenha uma boa tarde/noite”.

E quando as pessoas pensam que telemarketing é terapia, ficam lá a ralhar e depois que descarregou tudo em um pobre coitado que nada pode fazer para responder a altura, desligam o telefone, com certeza com a alma mais leve, muito fácil deixar isso no ombro dos outros, só não se escuta, mas nós também temos nossos métodos, o desabafo além daquele que temos no pensamento quando tudo vai mais além, existe sim um botão de um componente eletrônico (diz-se não humano) que ouve a gente um tal “mute” soltamos lá nossa abobrinha em alguns milésimos de segundos antes de ouvir o apito de uma nova ligação, respirar fundo e dizer, “Fernando Alves, boa tarde/noite, EM QUE POSSO AJUDAR?”.

Dizem que é falta de ética falar mal daquele que paga o nosso salário, mentira, meu salário é conseqüência do que eu faço, e digo faço direito! E tenho a plena certeza, que pelo meu bem pessoal posso descarregar o estresse que ganho no momento de trabalho (no sentido filosófico da palavra). Piada ouvir depois de “Posso ajudar em algo mais?” a resposta “Não, você não ajudou em nada”. Mas vou continuar a fazer aquilo que é meu, da minha alçada, vou fazer o melhor que puder, insatisfeitos a parte estarei lá até quando me deixarem estar, ou até eu enlouquecer. Eu gosto, eu quero, eu posso.

1 comentários:

Sabes que conheço pessoas que entram em depressão por estarem em call centre...tens k ser forte, ñ te deixar afectar...a razão está do teu lado...e a força tb terá que estar:-)
assim como eue starei sempre do teu lado:-)